Archive for outubro, 2007

A arte na Chácara do Céu

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Com vista de 360 graus da baía de Guanabara, o Museu Chácara do Céu tem o suficiente para encantar qualquer público, desde os mais apaixonados pela arte clássica até os que gostam de arte nativa. Com um dos maiores acervos públicos de Candido Portinari, o museu conta em seu arquivo com obras de renomados artistas mundiais como Jean-Claude Debret, Matisse e Picasso. O acervo de arte brasileira é composto, em maior parte, pelos principais nomes da pintura moderna.

A casa localizada em Santa Teresa foi herdada pelo empresário Raymundo Otoni de Castro Maya em 1936. Castro Maya era um empresário importante, colecionador de obras de arte, e incentivador da arte nacional. Sua preocupação era poder tornar público o acesso a sua “coleção”. Motivado por essa razão criou duas sociedades: Cem Bibliófilos do Brasil e Os Amigos da Gravura, a última teve grande importância para a propagação do gosto pela gravura.

O museu era a residência de Castro Maya e mais tarde – em 1963 – foi doado pelo mesmo para sua fundação, que conta também com o Museu do Açude, localizado no Alto da Boa Vista (outra residência de Castro Maya). O museu ainda mantém o comprometimento de seu fundador com a arte. Por isso, tem como compromisso dar continuidade aos projetos de Castro Maya, promover exposições que utilizem o acervo próprio, coleções particulares e institucionais, possibilitar uma análise profunda das obras de artes.

Infelizmente o museu já passou também por momentos difíceis, como o assalto ocorrido ano passado. No dia 24 de fevereiro de 2006 – véspera de carnaval – quatro homens armados invadiram o lugar, renderam à recepcionista e roubaram obras de Picasso, Matisse, Salvador Dali e Monet. As molduras dos quadros roubados foram encontradas no Morro dos Prazeres. Essa não foi a primeira vez que o museu foi assaltado. A primeira vez foi na década de 80, mas na época as obras roubadas foram recuperadas. Hoje a segurança do museu foi reforçada, com grades ao seu redor, alarme e câmeras.

O museu conta hoje com o programa de visitas guiadas para grupos. A procura maior é de grupos escolares de acordo com Thais Almeida, formada em artes plásticas e funcionaria do museu desde abril. Para a visitação com o acompanhamento de monitores é cobrada a taxa de R$ 4,00 mais o ingresso de R$ 2,00. A exceção é para as escolas públicas que podem utilizar o serviço gratuitamente.

A casa tem acervo permanente e a exposição do projeto Amigos da Gravura, que se renova a cada quatro meses.

Museu Chacara do Céu:

www.museuscastromaya.com.br
Rua Murtinho Nobre, 93
Santa Teresa
20241-050 – Rio de Janeiro – RJ
(55) 21 2224-8981
(55) 21 2507-1932
chacara@museuscastromaya.com.br

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Foto: Nathalia Bernardes

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O melhor da hospitalidade brasileira

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Casa da Nelida

Os turistas que visitam o Rio e preferem se hospedar em lugares mais aconchegantes e familiares, tendo um maior convívio com moradores e a cultura locais, ao invés dos convencionais hotéis, têm como opção cinqüenta casas no charmoso bairro de Santa Teresa. A rede Cama e Café , adaptação do sistema de “bed and breakfast” oferece a interessante alternativa, considerada pelo Lonely Planet, respeitado guia turístico, como um dos melhores lugares para se hospedar no Rio de Janeiro.

As reservas são feitas por telefone ou pelo site da rede. Os hóspedes escolhem a categoria de quartos que preferem – econômica, turística ou superior – e, então, é feito um cruzamento psicológico com os anfitriões – como são chamados os donos das casas – para definir a melhor alternativa.

Segundo a responsável por operação, Daniela Greco, a média de turistas que procuram a Cama e Café é de 6 mil por ano. A maioria é de europeus, acostumados a esse tipo de hospedagem:

– Na Europa esse sistema é comum. Mais de cinqüenta por cento das pessoas que fazem reserva é de lá. Os brasileiros não conhecem muito esse tipo de hospedagem, por isso a procura é menor – conta, explicando porq ue menos de trinta por cento dos brasileiros utilizam o serviço.

Leonardo Rangel e João Vergara, os responsáveis por implementar o projeto no Brasil, pensavam mesmo na Europa quando escolheram o bairro de Santa Teresa para criar a sede no Rio de Janeiro:

– Os principais motivos para a escolha de Santa foram a semelhança do bairro com regiões européias, como a arquitetura, o clima ameno, o bonde cruzando as ruas e por Santa Teresa não ter nenhuma rede de hotelaria quando o Cama e Café foi criado, há cinco anos – diz Greco.

A escolha das casas que fariam parte da rede foi através de um processo seletivo. Após os candidatos a anfitriões inscreverem suas casas, houve uma vistoria para confirmar se cada uma cumpria os requisitos necessários.

– Os donos passaram por uma avaliação psicológica para definir o perfil. Eles precisam falar outros idiomas e a casa precisa ter banheiros e metragem específicos. E como Santa Teresa é o reduto dos artistas, a preferência é de artistas plásticos, músicos… – diz Greco.

Os meses da alta temporada são principalmente julho e agosto, meses de férias na Europa, dezembro e janeiro. A divulgação é por guias de viagem, site e jornais. A experiência é tão agradável que, de acordo com Greco, não são raras as vezes que os hóspedes viram amigos íntimos de seus anfitriões.

Além do café da manhã, que varia conforme a categoria escolhida, os donos da casa também oferecem dicas de passeios e, algumas vezes, chegam até a acompanhar seus hóspedes. A rede já tem filiais em Olinda, Pernambuco, e há projetos de abrir em Petrópolis.

Foto: Site Cama e Café

Onde o Rio é mais Mineiro

“Se a alma das cidades está em seus bares, a do Rio de Janeiro pode ser encontrada no Bar do Mineiro, em Santa Teresa. Um bairro com nome de santa onde todas as tribos do mundo se encontram para festejar, em harmonia, a alegria de viver da Cidade Maravilhosa.” É dessa maneira que o Bar do Mineiro se apresenta, na contracapa do CD que leva seu nome. O projeto da Universal Music usa o nome de bares para representar as capitais dos estados. A sugestão de usar o nome do bar partiu do produtor Ronaldo Bastos, que já tinha feito o projeto e apresentou aos donos. Entre os artistas estão Caetano Velloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Luiz Melodia e outros nomes da MPB.

Não é para menos que o Bar do Mineiro – apesar da contradição “mineiro”- foi o escolhido para ser a “alma” do Rio. Com uma decoração arrojada, o Mineiro tem o autêntico clima de botequim, o que atrai diversos freqüentadores de várias partes da cidade, devido à descontração e ao bom e velho estilo “Santa Teresa de ser”.

Nas mesas, é fácil perceber a vontade em comum de se divertir. Durante a semana, o bar serve como uma “extensão” do trabalho, a famosa “esticadinha”, onde os amigos se encontram para conversar sobre a semana.

A maior parte dos freqüentadores tem entre 20 e 40 anos e são da classe média, de acordo com Thiago Paixão, gerente e filho do fundador do bar. Profissionais liberais, produtores, artistas e turistas, esse é o público eclético do Mineiro.

Com um cardápio bastante original e a cerveja gelada o bar se firmou há 14 no Rio, e pertence desde o início a mesma família. Apesar de ter passado por modificações, já que antes o lugar era menor, nunca aconteceu uma mudança radical de estilo, apenas sofreu algumas alterações gastronômicas.

A família Paixão veio de Carangola – zona da mata mineira – e implantou um típico cardápio regional, entre eles os famosos pastéis de feijão. O cardápio foi todo desenvolvido por Ângela Paixão, que na cozinha conta com a ajuda da também mineira Maria Lucia Neves, também vinda de Carangola para o Rio:

– Eu falei com a dona Ângela, e ela me disse que precisava de uma cozinheira por isso eu vim – lembra a funcionária.

Entre os pratos mais pedidos estão a feijoada completa (está citada no livro da Louis Vuitton sobre o Rio), carne-seca com abóbora entre outros.

O bar, que hoje está sob o comando de Diógenes Paixão, já teve por suas mesas pessoas importantes, como Quincy Jones, Nelson Sargento, Washington Olivetto e outros nomes de peso. A idéia de abrir uma filial do bar e reabrir o terraço – fechado devido à ação judicial movida contra o bar –, não é descartada de acordo com Thiago.

O sucesso do bar colaborou também para a revitalização do bairro, onde a família reside desde que veio para o Rio.

Bar do Mineiro: Rua Paschoal Carlos Magno, nº 99 – Santa Teresa- Rio de Janeiro.

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descontração do bar do mineiro

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capa do CD