Enfim, Santa Teresa

Essa é uma matéria pessoal. Até agora no blog eu – e acredito que a Lais também – tentei contar as histórias dos lugares legais que existem em Santa Teresa – e eles são muitos. Enfim, essa é a primeira vez que eu escrevo em primeira pessoa aqui, e tenho que confessar que estou um pouco nervosa, mas vamos lá. Durante esses os últimos quatro meses, eu passei boa parte do meu tempo em Santa, então hoje me sinto bastante confortável para falar sobre o bairro.

Nunca imaginei encontrar no Rio de Janeiro um bairro com cara de interior. Aquela história de todo mundo se conhecer se torna muito real em Santa, e chega a tal ponto que algumas pessoas percebem rapidamente que você não mora no bairro. Não vou mentir, em alguns momentos achei o máximo, mas em outros não foi muito legal. Foram vários os interrogatórios que tive de responder. No final, já estava quase levando um cartão de apresentação para não repetir a mesma história de sempre: “Ah… meu nome, Maria Clara. Não, não sou moradora, eu estou fazendo um trabalho para faculdade. É, já estou na faculdade…” (não lembro se as perguntas eram nessa ordem, mas as repostas eram essas). O mais engraçado era que algumas pessoas me interrogavam mais de uma vez (na banca de jornal perdi a conta). Mas até isso – às vezes – era legal. Brincadeiras a parte, as pessoas em Santa são muito receptivas.

Uma das milhares de vezes que eu fui de bonde para o bairro, eu me lembro que eu fiquei 1 hora esperando – desculpa parceira de blog falar mal, mas o bonde… Tinha um senhor sentado do meu lado, e acabei conversando com ele. Claro, depois das perguntas de rotina, eu disse que achava que até o final desse período eu iria enjoar do bairro. A resposta dele na hora não teve muito efeito “É mais fácil você se apaixonar por Santa do que enjoar”, agora faz um sentido enorme (clichê). É verdade, o lugar é muito charmoso. Com certeza, encantador.

Andar pelas ruas no bairro é bem diferente. Basicamente, são três meios de transporte – bonde, ônibus e carro – e todos passam ao mesmo tempo. Conselho para quem não conhece muito bem os trajetos do bonde, não parar em qualquer lugar, porque “encostadinha” às vezes acontece. Já aconteceu comigo.

Os projetos artísticos são muito bons. Para quem gosta vale muito a pena ir ao “Arte de portas abertas”. O bairro fica cheio, os ateliês ficam abertos, e os artistas recebem as pessoas muito bem. O “Fotocross” também é muito legal, eu fui e me arrependo muito de não ter participado da maratona (fiquei com aquelas bobeiras de não saber fotografar bem).

Iniciativas sociais também são levadas a sério no bairro. São várias, mas eu de fato só fui a uma, o “Ballet de Santa Teresa”. A organização não se restringe só a dança ela também oferece aulas de reforço escolar. Os resultados são positivos, muitos alunos melhoram no colégio depois de entrar no Ballet. O trabalho é desenvolvido com muito carinho. As crianças parecem gostar muito do projeto. Algumas passam o dia todo na organização.

Algo que chama atenção em Santa é quantidade de crianças no bairro. De acordo com o Instituto Pereira Passos são 7527 pessoas de 0 a 12 anos. As saídas das escolas chamam atenção, a criançada ganha espaço na rua. Pegar bonde nesse horário é cômico. Parece que você está em um ônibus escolar, a professora chama atenção, os pais pedem para se comportarem e coisas do tipo. É legal ver a alegria deles.

O carnaval em Santa vale a pena. Apesar desse ano o pessoal do Carmelitas ter dificultado um pouco por não divulgar os horários, sempre tem um jeito de descobrir, o bloco é muito divertido. Pelo menos os ensaios eles vão avisar, para quem gosta de carnaval é muito bom.

O bar do Mineiro… Esse eu não podia esquecer. O ambiente é ótimo, cerveja gelada, garçons gente boa, galera animada e, o melhor, aquele clima de bar, não é de “bar Chique”, é daqueles com azulejo na parede. Muito bom.

Óbvio que não vou deixar de freqüentar o bairro, mas não vai ser com a mesma freqüência. Por isso é natural sentir saudades. E no fundo a frase daquele senhor, hoje tem muita lógica, é muito fácil gostar de Santa Teresa.

Anúncios

O carnaval do Carmelitas

O carnaval de rua carioca volta a ganhar espaço ano após ano. Como não poderia ser diferente, o bairro de Santa Teresa deixa sua colaboração para a festa: o bloco Carmelitas.

Os fundadores são todos moradores de Santa, e a historia da criação do bloco chama a atenção. De acordo com Alvanisio Damasceno, a idéia de montar o bloco surgiu no Bar do Sergio, após as “peladas” rotineiras do grupo em 1991. Como forma de homenagear o bairro, resolveram batizar o bloco como Carmelitas, já que o convento da ordem religiosa, se localiza perto do bar e foi um dos marcos na criação de Santa.

Reza a lenda que o primeiro desfile do Carmelitas, contou com a participação de uma freira, que pulou o muro do convento para se juntar aos foliões da “festa pagã”. Lenda ou não, sabe-se que hoje, o Carmelitas, arrasta multidões pelas ruas do bairro, durante o carnaval. No ano de 2006, o público foi cerca de 20 mil pessoas. Por isso os dirigentes resolveram desde esse ano não divulgar o dia e o horário de saída. Com isso reduziram bastante o número de participantes, esse ano foram apenas mil. “A intenção é que os moradores voltem a participar mais do bloco. Essa era a idéia inicial” diz Damasceno.

A verdade é que hoje o bloco já é um dos nomes, que melhor representa o carnaval. O desfile é sempre descontraído, o que motiva o público a participar todos os anos. Como não podia ser diferente, para o carnaval de 2008, os preparativos já começaram.

Dia 8 de dezembro, o grupo apresentará a camisa do próximo carnaval. O samba também já começará a ser decidido. A escolha é feito por meio de concurso. Porém esse ano pode ser que até o samba se torne um pouco mais bairrista. De acordo com Alvanisio, entre os organizadores, cogita-se a possibilidade de permitirem apenas a inscrição de sambas dos moradores de Santa Teresa. Os ensaios do bloco irão começar em janeiro e ainda não tem local certo. Os ensaios serão abertos.

Com o patrocínio da AMBEV, o Carmelitas, em fevereiro estará na rua. E com certeza os foliões que gostam de carnaval de rua, com divulgação ou não estarão atrás do bloco. Afinal, atrás do Carmelitas só não vai quem já morreu.

Santa Teresa e o cordel

A literatura de cordel pode ser de várias formas. Com versos ritmados e bem humorados o cordel faz as suas críticas e deixa seus recados. O cordel surgiu na Europa por volta do século XV, e os “cordelistas” da época contavam suas histórias nos feudos. Com um nome diferente em cada país – Na França “littèratue de colportage”, na Espanha “pliegos suletos” e em Portugal “folhas volantes” – o gênero chegou ao Brasil junto com nossos colonizadores portugueses, mas só começou a ser produzido no Brasil – mais especificamente no nordeste – com a chegada da imprensa.

Daquele tempo para cá muita coisa mudou, o cordel se tornou muito popular com os contadores de histórias nordestinos. Apesar de ser considerada “regional” esse gênero não tem fronteiras, um bom exemplo disso é a Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC – fundada em 1988. Ao contrário do que se possa imaginar, a sede se localiza no Rio, mais especificamente em Santa Tereza.

A iniciativa de criar a ABLC partiu de três cordelistas : Gonçalo Ferreira da Silva, Apolônio Alves dos Santos, Hélio Dutra, que foram até a câmara de vereadores e pediram apóio ao projeto. Apesar disso, no começo, a Academia não tinha um espaço organizado, até que em 1989 passaram a promover os encontros e discussões na Academia Brasileira de Letras. Em 1990, com a ajuda de Umberto Peregrino – fundador da Casa de Cultura São Saruê – os membros da ABLC resolveram criar sua própria sede.

O quadro acadêmico da ABLC tem 40 cadeiras, quatro delas desocupadas. Os novos membros efetivos são escolhidos por meio de eleição. Para se tornar membro efetivo é necessário ser brasileiro nato ou naturalizado e maior de 16 anos. Para as pessoas que gostam de cordel, mas não têm pretensão de serem membros efetivos, também existe a possibilidade de participar como membro correspondente, categoria que não exige a nacionalidade brasileira e não tem número limitado de participantes.

A Academia é um lugar interessante de se visitar. Vários folhetos de Cordel e um clima bastante descontraído caracterizam a sede. Com muito humor e crítica, vale a pena conhecer um pouco mais da Literatura de Cordel.

Endereço:Rua Leopoldo Fróes, 37 – Santa Teresa
Rio de Janeiro – RJ – Brasil
Cep: 20241-330
Telefones: 21 2232-4801 / 2221-1077

Recado à Pátria Mãe
Willian Lucas

“Que tipo de mãe é essa?
Que deixa os filhos com fome
Poucos possuindo tudo,
Muitos vivendo sem nome
E a comida do pobre
O rico rouba e come.

Que tipo de mãe é essa?
Que deixa o filho infeliz
Sem salário, sem direito
Sem nada nesse país.
Só falta organização
Para a gente ser feliz.

Pátria cheia de encantos,
De belezas naturais,
De praias, de futebol,
De riquezas sem iguais,
De sonhos, de fantasias,
De projetos tão banais!

Nossa pátria vale mil,
Mas é a terra do sem:
Sem-Lei, Sem-Teto, Sem-Terra
E Sem-Emprego também,
Sem-Direito, Sem-Coragem
Sem-Salário, Sem-Vintém.(…)”

“Pão de Açúcar sem bondinhos”

parquedasruina1s.jpg

O Parque das Ruínas, antiga residência de Laurinda Santos Lobo, ilustre moradora de Santa Teresa, possui uma vista privilegiada: 360º da Baía de Guanabara, um convite à contemplação. Após a morte de sua proprietária, em 1946, a casa ficou abandonada até a Prefeitura do Rio de Janeiro resolver transformá-la em um centro cultural durante o primeiro mandato do prefeito César Maia. A iniciativa favoreceu tanto o bairro quanto o local, comparado pelo auxiliar da administração do Parque, Dionísio Soares, com um dos mais famosos cartões postais da cidade:

– O Parque é um ponto privilegiado de Santa. Para os turistas é como se fosse o Pão de Açúcar sem bondinhos – diz.

Segundo o site da Riotur (www.rio.rj.gov.br/riotur), Laurinda foi uma mulher de grande importância para a vida intelectual da cidade no início do século XX. Ela promovia saraus que atraíam grandes artistas nacionais e internacionais na casa, herdada de seu tio Joaquim Murtinho, Ministro da Fazenda do governo Campos Salles. Continuando com a tradição de incentivar a cultura, atualmente, o Parque oferece como atividades shows de música, peças de teatro e exposições de arte contemporânea, além de ter o mirante do litoral do Rio.

No entanto, o período de cerca de 50 anos entre a morte da proprietária e a inauguração do centro cultural, em 1997, não foi dos melhores. Abandonado, o imóvel foi ocupado, de acordo com Dionísio, por malfeitores que perturbavam os moradores.

– A pedido de moradores insatisfeitos, a Prefeitura adquiriu a casa e a reformou – conta.

A primeira grande reforma sofrida pela casa foi projeto do arquiteto Ernani Freire, que integrou toques modernos às ruínas. No início de 2005, outras melhorias tiveram de ser feitas.

– A parte velha não tem reboco, os tijolos são aparentes. Eles sofrem erosão da chuva e do vento. Por isso, de tempos em tempos é preciso fazer uma reforma para evitar a erosão – explica Dionísio.

Cariocas de todos os bairros costumam comparecer com mais freqüência nos eventos gratuitos que acontecem no Parque. A programação pode ser encontrada no Mapa Cultural, publicação mensal da Secretaria Municipal das Culturas. As atividades contribuem para que cerca de duas mil pessoas por mês visitem as ruínas mais charmosas do Rio.

Para Dionísio, o Parque das Ruínas é mais um exemplo que confirma a vocação de Santa Teresa para o turismo, sobretudo o cultural. De acordo com dados do Instituto Pereira Passos, ao todo, o bairro possui três centros culturais, a mesma quantidade do que a Barra da Tijuca, que tem uma população quase cinco vezes maior.

Foto: Nathalia Bernardes

Cine Santa, o cinema de Santa Teresa

Santa Teresa é um bairro que respira cultura. De vários pontos surgem novos projetos que promovem a interação entre as áreas social e cultural. E não poderia ser diferente com o único cinema do bairro. O Cine Santa Teresa (www.cinesanta.com.br), idealizado por Fernanda Oliveira, diretora artística do cinema, além de exibir filmes, mantém parceria com ongs e escolas municipais, firmando-se como opção cultural, social e educacional.

Segundo o produtor executivo, Adil Tiscatti, o cinema prefere trabalhar com instituições do próprio bairro, visando promover o resgate do cidadão, através de uma proposta pedagógica e social de exibições gratuitas.

– Preferimos ongs e escolas do bairro porque elas servem aos interesses e anseios do bairro. Somos um cinema do bairro, para o bairro. E nossa sala também é pequena – explica Adil.

Com capacidade para 46 pessoas, o cinema ocupa, desde 2005, uma sala do prédio da Região Administrativa, cedida pelo administrador regional Cristiano Silva com o apoio da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Dessa forma, foi viabilizado o objetivo de ampliar os programas do cinema, inaugurado em 23 de junho de 2003 e cujas primeiras exibições foram na Igreja Anglicana do bairro.

No entanto, nem tudo foi fácil. A sala precisava de reformas para poder funcionar adequadamente e as mudanças necessárias foram pagas, de acordo com Adil, com o dinheiro da família de Fernanda:

– Não temos patrocinador. A reforma foi toda financiada com dinheiro do nosso próprio bolso, da Fernanda. Qualquer patrocínio é bem vindo – diz.

O local também conta com a Cine Galeria, espaço em que artistas plásticos do bairro podem fazer exposições de graça. Segundo Adil, é mais uma forma que o Cine Santa encontrou de incentivar a cultura do bairro. A média de exposições é de uma por mês. Os artistas locais interessados só precisam entrar em contato com o cinema.

A programação é escolhida por Fernanda e segue o conceito do cinema de passar filmes “de arte”, mas os moradores que fazem parte do Clube de Amigos do Cine Santa Teresa também acabam dando sugestões de filmes. Aberto exclusivamente para quem mora no bairro, o clube pretende reunir no cinema um grupo de cinéfilos, que tem como vantagem pagar apenas R$5, menos do que a meia entrada.

-A gente mesmo entra na sala e estimula esse contato de proximidade com o espectador, esse é um dos nossos objetivos. O critério que usamos é o de filme arte. Não passamos “circuitão” – conta Adil.

Segundo ele, se dependesse de sua vontade e da Fernanda, Santa Teresa teria muitas outras salas de cinema. Só que por ser um bairro pequeno em relação a outros com mais salas – Santa Teresa tem uma sala para 41. 145 habitantes enquanto a Barra da Tijuca, que possui uma população de mais de 174 mil, tem 45 salas de exibição conforme informações do Instituto Pereira Passos, o IPP – é algo difícil na opinião de Adil, mas ele é confiante:

-Bom, ninguém sabe, né? Talvez um dia…- sonha.

A arte na Chácara do Céu

chacara_do_ceu2.jpg

Com vista de 360 graus da baía de Guanabara, o Museu Chácara do Céu tem o suficiente para encantar qualquer público, desde os mais apaixonados pela arte clássica até os que gostam de arte nativa. Com um dos maiores acervos públicos de Candido Portinari, o museu conta em seu arquivo com obras de renomados artistas mundiais como Jean-Claude Debret, Matisse e Picasso. O acervo de arte brasileira é composto, em maior parte, pelos principais nomes da pintura moderna.

A casa localizada em Santa Teresa foi herdada pelo empresário Raymundo Otoni de Castro Maya em 1936. Castro Maya era um empresário importante, colecionador de obras de arte, e incentivador da arte nacional. Sua preocupação era poder tornar público o acesso a sua “coleção”. Motivado por essa razão criou duas sociedades: Cem Bibliófilos do Brasil e Os Amigos da Gravura, a última teve grande importância para a propagação do gosto pela gravura.

O museu era a residência de Castro Maya e mais tarde – em 1963 – foi doado pelo mesmo para sua fundação, que conta também com o Museu do Açude, localizado no Alto da Boa Vista (outra residência de Castro Maya). O museu ainda mantém o comprometimento de seu fundador com a arte. Por isso, tem como compromisso dar continuidade aos projetos de Castro Maya, promover exposições que utilizem o acervo próprio, coleções particulares e institucionais, possibilitar uma análise profunda das obras de artes.

Infelizmente o museu já passou também por momentos difíceis, como o assalto ocorrido ano passado. No dia 24 de fevereiro de 2006 – véspera de carnaval – quatro homens armados invadiram o lugar, renderam à recepcionista e roubaram obras de Picasso, Matisse, Salvador Dali e Monet. As molduras dos quadros roubados foram encontradas no Morro dos Prazeres. Essa não foi a primeira vez que o museu foi assaltado. A primeira vez foi na década de 80, mas na época as obras roubadas foram recuperadas. Hoje a segurança do museu foi reforçada, com grades ao seu redor, alarme e câmeras.

O museu conta hoje com o programa de visitas guiadas para grupos. A procura maior é de grupos escolares de acordo com Thais Almeida, formada em artes plásticas e funcionaria do museu desde abril. Para a visitação com o acompanhamento de monitores é cobrada a taxa de R$ 4,00 mais o ingresso de R$ 2,00. A exceção é para as escolas públicas que podem utilizar o serviço gratuitamente.

A casa tem acervo permanente e a exposição do projeto Amigos da Gravura, que se renova a cada quatro meses.

Museu Chacara do Céu:

www.museuscastromaya.com.br
Rua Murtinho Nobre, 93
Santa Teresa
20241-050 – Rio de Janeiro – RJ
(55) 21 2224-8981
(55) 21 2507-1932
chacara@museuscastromaya.com.br

museu3.jpg
Foto: Nathalia Bernardes

O melhor da hospitalidade brasileira

casa-nelida.jpg
Casa da Nelida

Os turistas que visitam o Rio e preferem se hospedar em lugares mais aconchegantes e familiares, tendo um maior convívio com moradores e a cultura locais, ao invés dos convencionais hotéis, têm como opção cinqüenta casas no charmoso bairro de Santa Teresa. A rede Cama e Café , adaptação do sistema de “bed and breakfast” oferece a interessante alternativa, considerada pelo Lonely Planet, respeitado guia turístico, como um dos melhores lugares para se hospedar no Rio de Janeiro.

As reservas são feitas por telefone ou pelo site da rede. Os hóspedes escolhem a categoria de quartos que preferem – econômica, turística ou superior – e, então, é feito um cruzamento psicológico com os anfitriões – como são chamados os donos das casas – para definir a melhor alternativa.

Segundo a responsável por operação, Daniela Greco, a média de turistas que procuram a Cama e Café é de 6 mil por ano. A maioria é de europeus, acostumados a esse tipo de hospedagem:

– Na Europa esse sistema é comum. Mais de cinqüenta por cento das pessoas que fazem reserva é de lá. Os brasileiros não conhecem muito esse tipo de hospedagem, por isso a procura é menor – conta, explicando porq ue menos de trinta por cento dos brasileiros utilizam o serviço.

Leonardo Rangel e João Vergara, os responsáveis por implementar o projeto no Brasil, pensavam mesmo na Europa quando escolheram o bairro de Santa Teresa para criar a sede no Rio de Janeiro:

– Os principais motivos para a escolha de Santa foram a semelhança do bairro com regiões européias, como a arquitetura, o clima ameno, o bonde cruzando as ruas e por Santa Teresa não ter nenhuma rede de hotelaria quando o Cama e Café foi criado, há cinco anos – diz Greco.

A escolha das casas que fariam parte da rede foi através de um processo seletivo. Após os candidatos a anfitriões inscreverem suas casas, houve uma vistoria para confirmar se cada uma cumpria os requisitos necessários.

– Os donos passaram por uma avaliação psicológica para definir o perfil. Eles precisam falar outros idiomas e a casa precisa ter banheiros e metragem específicos. E como Santa Teresa é o reduto dos artistas, a preferência é de artistas plásticos, músicos… – diz Greco.

Os meses da alta temporada são principalmente julho e agosto, meses de férias na Europa, dezembro e janeiro. A divulgação é por guias de viagem, site e jornais. A experiência é tão agradável que, de acordo com Greco, não são raras as vezes que os hóspedes viram amigos íntimos de seus anfitriões.

Além do café da manhã, que varia conforme a categoria escolhida, os donos da casa também oferecem dicas de passeios e, algumas vezes, chegam até a acompanhar seus hóspedes. A rede já tem filiais em Olinda, Pernambuco, e há projetos de abrir em Petrópolis.

Foto: Site Cama e Café

Onde o Rio é mais Mineiro

“Se a alma das cidades está em seus bares, a do Rio de Janeiro pode ser encontrada no Bar do Mineiro, em Santa Teresa. Um bairro com nome de santa onde todas as tribos do mundo se encontram para festejar, em harmonia, a alegria de viver da Cidade Maravilhosa.” É dessa maneira que o Bar do Mineiro se apresenta, na contracapa do CD que leva seu nome. O projeto da Universal Music usa o nome de bares para representar as capitais dos estados. A sugestão de usar o nome do bar partiu do produtor Ronaldo Bastos, que já tinha feito o projeto e apresentou aos donos. Entre os artistas estão Caetano Velloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Luiz Melodia e outros nomes da MPB.

Não é para menos que o Bar do Mineiro – apesar da contradição “mineiro”- foi o escolhido para ser a “alma” do Rio. Com uma decoração arrojada, o Mineiro tem o autêntico clima de botequim, o que atrai diversos freqüentadores de várias partes da cidade, devido à descontração e ao bom e velho estilo “Santa Teresa de ser”.

Nas mesas, é fácil perceber a vontade em comum de se divertir. Durante a semana, o bar serve como uma “extensão” do trabalho, a famosa “esticadinha”, onde os amigos se encontram para conversar sobre a semana.

A maior parte dos freqüentadores tem entre 20 e 40 anos e são da classe média, de acordo com Thiago Paixão, gerente e filho do fundador do bar. Profissionais liberais, produtores, artistas e turistas, esse é o público eclético do Mineiro.

Com um cardápio bastante original e a cerveja gelada o bar se firmou há 14 no Rio, e pertence desde o início a mesma família. Apesar de ter passado por modificações, já que antes o lugar era menor, nunca aconteceu uma mudança radical de estilo, apenas sofreu algumas alterações gastronômicas.

A família Paixão veio de Carangola – zona da mata mineira – e implantou um típico cardápio regional, entre eles os famosos pastéis de feijão. O cardápio foi todo desenvolvido por Ângela Paixão, que na cozinha conta com a ajuda da também mineira Maria Lucia Neves, também vinda de Carangola para o Rio:

– Eu falei com a dona Ângela, e ela me disse que precisava de uma cozinheira por isso eu vim – lembra a funcionária.

Entre os pratos mais pedidos estão a feijoada completa (está citada no livro da Louis Vuitton sobre o Rio), carne-seca com abóbora entre outros.

O bar, que hoje está sob o comando de Diógenes Paixão, já teve por suas mesas pessoas importantes, como Quincy Jones, Nelson Sargento, Washington Olivetto e outros nomes de peso. A idéia de abrir uma filial do bar e reabrir o terraço – fechado devido à ação judicial movida contra o bar –, não é descartada de acordo com Thiago.

O sucesso do bar colaborou também para a revitalização do bairro, onde a família reside desde que veio para o Rio.

Bar do Mineiro: Rua Paschoal Carlos Magno, nº 99 – Santa Teresa- Rio de Janeiro.

bar-mineiro.jpg noite_mineiro.jpg
descontração do bar do mineiro

cd2.jpg
capa do CD

Bondes de Santa Teresa são modernizados

Nathalia Bernardes

Quem sobe para Santa Teresa de bonde deveria ter a sua disposição uma frota com 14 bondinhos. Atualmente, somente dois estão fazendo o transporte de passageiros porque oito deles estão sendo modernizados. Segundo dados do Instituto Pereira Passos, IPP, o número de passageiros transportados pelo bonde diminuiu nos últimos anos. Enquanto em 2004 o número total de passageiros transportados era de um pouco mais de 950 mil, em 2006 esse número foi reduzido a aproximadamente 460 mil.

Por causa da frota reduzida, não está sendo feita nenhuma viagem exclusivamente turística nos bondes. Porém, segundo o Coordenador do Sistema de Bondes, José Valladão Duarte, as redes de hotéis aconselham os turistas a se misturar aos demais passageiros para aproveitar o passeio do famoso bondinho.

– Não temos como contabilizar o número de turistas que utilizam os bondes apesar de percebermos quem eles são pela aparência – comenta.

Entretanto, o turismo é, de acordo com Duarte, um subproduto. O objetivo principal é o transporte público. O bonde, que já atendeu no passado a outros bairros da cidade, hoje é privilégio de quem mora em Santa Teresa e pode utilizá-lo para chegar ao Centro. Para Duarte, as integrações das linhas de ônibus com o metrô não interferem na movimentação:

– Não percebi diferença. Os ônibus levam mais tempo e não possuem a visão ampla que o bonde oferece. Esses bondes são únicos no mundo. Por isso, as pessoas têm mais interesse nele. Os moradores de Santa Teresa dizem que chegam ao trabalho menos estressados quando vão de bonde – diz.

As linhas do bonde também estão sendo recuperadas. Desde meados de setembro, a Secretaria estadual de Transportes retomou as obras. Toda a malha de Santa Teresa deve ser trocada até o final de dezembro.

De acordo com Duarte, não há registros de acidentes com gravidade envolvendo o bonde, mesmo Santa Teresa sendo um bairro “adverso”, com ruas estreitas. O máximo que acontece, ainda segundo ele, são pequenos choques em carros desavisados, geralmente de outras localidades, que estacionam em cima dos trilhos. A estudante Maria Clara relembra um episódio curioso:

– No dia do Fotocross, tinha um carro parado no outro lado da calçada do bar do Mineiro, em cima do trilho, e por isso o bonde parou. Apareceram uns caras com pandeiro e cavaquinho e começaram a fazer um sambinha. O pessoal saiu do bonde e começou a participar do samba, ocupando a rua inteira, durante uns 20 minutos, até que o dono do carro apareceu – conta.

Como cada bonde pesa cerca de nove toneladas, há dificuldade em parar imediatamente quando freiam. Mas a velocidade máxima dos bondes, de 40 km/hora em descidas, contribui para a falta de acidentes graves. Também não há indícios de acidentes com quem pega o bonde andando, não paga os R$ 0,60 da passagem e vai em pé no estribo.

– É difícil coibir as pessoas de irem no estribo, mas nunca aconteceu nada sério – diz Duarte.

Foto: Nathalia Bernardes

Santa Teresa:O reduto dos artistas

Conhecido como “reduto de artistas” o bairro de Santa Teresa abriga em suas ruas um número expressivo de ateliês. Ao todo são 45 estúdios de artes visuais. Entre artistas conhecidos e desconhecidos, alguns nomes se destacam pelo currículo.

Flávio Papi, 53 anos, é um deles. Responsável pela elaboração de maquetes e realização de importantes eventos – entre eles a Festa de Abertura do Pan – Flavio faz de sua casa sua própria oficina. Entre os trabalhos mais conhecidos de sua autoria estão à abertura da novela Renascer, parte do cenário da novela Mandala da Rede Globo, Troféu Apoteose entre outros. Flávio confessa que o trabalho em cinema e TV é muito interessante, mas “como é necessário ganhar dinheiro”, o artista também trabalha com os projetos das plataformas da Petrobras.

As maquetes levam em média quatro semanas para ficarem prontas, mas nem sempre a equipe tem tanto tempo para entregar os projetos, “Muitas vezes e principalmente em publicidade, eles me ligam e pedem a maquete finalizada para o outro dia. Essa oficina vira uma correria, a gente acaba virando noite uma confusão, mas no fim fica tudo bem.”

Papi tem como formação acadêmica a arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e foi dentro do curso que ele descobriu o seu talento para produção das maquetes. “Dentro de arquitetura nós temos uma disciplina que ensina a fazer projetos de maquetes. Eu gostava de montar, mas os meus amigos odiavam. Para ganhar um dinheiro extra, eu passei a fazer os projetos dos amigos mais próximos.” Desde então não parou de montar maquetes, e isso fez com que ele trabalhasse em Nova York durante dois anos, na empresa Maloof Architectural Models (dedicada à criação de maquetes). Além disso, esse ilustre morador de Santa Teresa foi professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, do Museu de arte moderna (MAM) e do Instituto de Arquitetos do Brasil.

O artista já expôs o seu trabalho duas vezes no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), mas confessa que esse não é o que mais lhe interessa, porque exige uma produção para o evento, mas participar de exposições coletivas lhe agrada mais. Isso aconteceu com a exposição que o poeta Ferreira Gullar fez no Paço Imperial, e convidou Flávio para participar, com a obra “Noite”, que ao contrário do que se pode imaginar não é uma maquete.

Flavio também se dedica a alguns hobbies,como pintura e peças de arte(como a obra que participou da exposição de Ferreira Gullar).

« Older entries