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O Ballet de Santa Teresa é uma instituição sem fins lucrativos, localizada em Santa Teresa, que atende atualmente, de acordo com a coordenadora pedagógica, Alessandra Costa, cerca de 150 crianças e adolescentes de 3 a 18 anos. Noventa e seis por cento das vagas são destinadas a moradores de comunidades e 4% para a classe média, e todos podem participar de graça. Essa medida visa promover a integração entre as crianças.
- Não queremos que pensem que quem mora em comunidade é bandido e quem não mora é ‘patricinha’ – explica Alessandra.
E esse incentivo funciona. O clima é de total descontração e as crianças são unidas. A menina Maria Evelaine, beneficiada pelo projeto, destaca a boa convivência:
- Somos muito amigas de todos aqui – conta ao se preparar para a aula de dança espanhola, sua atividade preferida.
A história do BST começou em 1999 quando Vânia Farias, fundadora da instituição e atual coordenadora de projetos do BST, foi buscar seu filho na escola municipal Santa Catarina, próxima ao Morro da Coroa, segunda maior favela de Santa Teresa, vestida de bailarina. Enquanto esperava o menino, uma aluna lhe perguntou quando ela a ensinaria a dançar ballet.
Vânia voltou para casa com a idéia na cabeça e, com a ajuda de amigos e familiares, deu início ao projeto atendendo 12 crianças da comunidade. O projeto cresceu, foi formalizado em 2001 e, segundo Alessandra, hoje eles possuem uma lista de espera de 26 alunos.
- Seguimos a ordem da lista para que possamos atender a todos os interessados conforme nossas condições – diz. A espera acontece porque o espaço é pequeno e os recursos, poucos. Além disso, quem completa 18 anos, idade limite para ingressar no BST, não quer deixar o programa.
Para ingressar no BST é preciso estar em dia com as vacinas e estudando. Lá, as crianças participam de 12 atividades, entre elas recreação e reforço escolar.
- Há cerca de três anos, tínhamos meninas na quarta série e analfabetas – revela Alessandra. – Oferecemos aulas como história e inglês e, com o passar do tempo, adquirimos um material tão rico que pudemos escrever um livro – ela comemora. O livro, intitulado “Histórias, Estórias e Poesias”, que teve a opinião das crianças para tudo, inclusive a escolha da capa, chegou a ser vendido para arrecadação de fundos para a instituição.
- Agora já estamos trabalhando em uma segunda publicação.
Mas a falta de recursos é uma dificuldade. Os professores são voluntários, mas três deles recebem uma quantia em dinheiro, por determinação legal, já que devem ficar período integral no local, como explicou Alessandra. Para sanar as dificuldades financeiras, o BST desenvolveu uma campanha de apadrinhamento, na qual doadores ajudam com o custo dos uniformes e merenda.
- Temos dois patrocinadores, mas por faixa etária. Temos que saber administrar bem a verba. O programa de apadrinhamento tem poucos adeptos – lamenta. Ajudar é uma forma de contribuir para a redução dos índices de gravidez precoce e o aumento do sucesso escolar das crianças, benefícios que o BST vem conseguindo há seis anos.
Foto: Institucional Ballet de Santa Teresa